A sexta-feira chegou de forma surpreendente, parecia que tudo aquilo que tínhamos aguardado e confiado estava escorrendo entre os nossos dedos. Durante a noite, guardas chegaram para levar o Mestre para a prisão, nós ficamos assustados com todo aquele alvoroço e acabamos fugindo! O Mestre foi preso, açoitado e humilhado e nós, os seus únicos amigos, fugimos! Nós o abandonamos sem nem mesmo saber o motivo, que vergonha, não haveremos de ter perdão!
Foi a pior sexta-feira da minha vida, ver o Mestre sendo humilhado e carregando a sua própria cruz. O Senhor foi colocado ao lado de dois ladrões, e ali, na frente de nossos olhos, expirou. O sábado havia chegado, frio e cinzento, parecia que o mundo estava de luto. O que nos restava agora era somente guardar na memória os seus ensinos, os milagres, os momentos de comunhão, e principalmente a última refeição que realizamos juntos. Como de costume, o mestre havia falado em enigmas, disse coisas que não compreendemos, ele falou algo como “nem todos estão limpos” e começou a lavar os nossos pés! Naquele momento, nos sentimos bastante indignos, nunca ouvimos falar de um Mestre que desejava lavar os pés de seus servos, quem éramos nós para tamanha honra?
Parecia que tudo estava acabado, todos aqueles anos investidos na esperança de que tudo iria ficar bem, tudo isso foi sepultado juntamente com o nosso Mestre. A pedra que selava o sepulcro não guardava simplesmente um corpo, mas guardava também todos os nossos sonhos. Parecia que iríamos nos frustrar mais uma vez, seria mais uma utopia? Nesses três anos, havíamos vivido somente mais um movimento revolucionário dentro deste Império, mais um movimento que se dispersou como tantos outros antes de nós? E todas aquelas promessas de salvação? E todos aqueles que foram curados, e os espíritos imundos que foram expulsos? Será que nada disso teve realmente importância?
E esta multidão ingrata? Receberam tantos milagres, tantas instruções da boca do Senhor, tantos benefícios por conviverem com o Mestre, Domingo passado gritaram “Hosana!” com ramos em suas mãos e ontem clamaram “Crucifica-o!” não consigo entender. O que Deus quer com isso?
Agora que a última esperança se foi, o que me restava era voltar para a minha antiga vida, retornar a minha velha profissão. O mar me aguardava mais uma vez. As redes já estavam prontas. Estávamos escondidos, com as portas trancadas, amedrontados por causa de nossos irmãos judeus (Jo 20.19). Porém, quando tudo parecia haver chegado ao fim, ouvimos algumas mulheres gritando que retiraram o corpo do Mestre da sepultura, elas estavam dizendo que viram o Senhor. Seria mesmo possível? Enquanto eu raciocinava se esta hipótese era plausível, o Mestre aparece-nos de repente, dizendo: “que a paz esteja com vocês!” (Jo 20.20).
Meus irmãos, não parecia ser verdade, não parecia ser real, mas foi. A partir daquele momento, parece que tudo dentro de mim, reviveu. Lembrei-me do que o Mestre falou, ele disse que voltaria. Diante de tudo o que escrevi, eu dou testemunho do que vi (Jo 19.35).
Assim, concluo o meu relato da seguinte forma, um encorajamento de um discípulo para outros discípulos: “Na verdade, Jesus fez diante dos seus discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome” (Jo 20.31).
Pr. Matteus Almeida
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